Todo dia cede a noite Ou o direito de (não) amar

Com a devida licença, permito a mim, este ser, a revolta.
Pela primeira vez, quero dizer não.
Quero o óbice.
Quero a rebelião.
O direito de erguer uma muralha.
De recuar.
Quero também o não fazer, a não ação.
Aspiro cruzar os braços, virar o rosto.
Não há luz que não deseje, mesmo que no existir primordial, uma dose de escuridão.
E este querer.
Não é abandonar.
É amar, sem cordas e recortes, sem o parcial na condução.
É amar por completo.
E sendo completo.
Sem os devaneios de quem acha, sem nunca viver.
De quem traça, sem sentir.


Créditos: pixabay



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